TRAIÇÃO POLÍTICA EXPLOSIVA EM SC


 

GELSON MERÍSIO CANDIDATO AO GOVERNO DE SC 2026: O QUE ESTÁ POR TRÁS DA APOSTA DE LULA NO EX-APOIADOR DE BOLSONARO

Um político que votou em Jair Bolsonaro nos dois turnos de 2018 agora carrega o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo de Santa Catarina em 2026. Esta frase, por si só, resume a complexidade da candidatura de Gelson Merísio ao governo de Santa Catarina pelo PSB — e explica por que o movimento tem gerado debates intensos tanto na esquerda quanto na direita catarinense. O empresário e ex-deputado estadual, que presidiu a Assembleia Legislativa por duas vezes e chegou ao segundo turno nas eleições de 2018, está de volta ao centro do tabuleiro político com uma missão nada simples: convencer eleitores de espectros opostos de que a mudança é possível.

A pré-candidatura de Gelson Merísio foi oficializada em Florianópolis no dia 16 de abril de 2026, em um evento que reuniu PT, PDT, PCdoB, PV, PSOL, Rede e PSB — uma coalizão incomum em um estado historicamente dominado pela direita e pela extrema-direita. O próprio candidato, durante o lançamento, não fugiu das perguntas incômodas: afirmou que não se arrepende do apoio a Bolsonaro em 2018, mas admitiu que discordou do comportamento do governo durante a pandemia e na condução da economia. Para Merísio, foi a experiência concreta do governo, e não uma conversão ideológica abstrata, que o levou a mudar de lado.

De Bolsonarista a Candidato de Lula: A Trajetória que Ninguém Esperava

A vida política de Gelson Merísio começou em 1988, quando se tornou vereador em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina. Natural de Xaxim, aos 60 anos ele acumula décadas de experiência em partidos de centro-direita: passou pelo PSDB — quando os tucanos ainda polarizavam com o PT na política nacional — e chegou ao PSD, legenda pela qual disputou o governo catarinense em 2018. Naquele pleito, foi ao segundo turno, mas acabou derrotado pelo então candidato do PSL, Carlos Moisés, numa eleição marcada pela primeira grande onda bolsonarista no Brasil.

Depois da derrota, Merísio se afastou dos holofotes públicos e se dedicou ao mundo dos negócios — incluindo um mandato como conselheiro da JBS, gigante frigorífica dos irmãos Batista. Foi nesse ambiente empresarial de alto trânsito que ele cultivou relações que pareciam improváveis na política: aproximou-se de Lula e do PT. Em 2022, coordenou nos bastidores a campanha de Décio Lima (PT) ao governo de Santa Catarina — uma empreitada que surpreendeu analistas ao levar o petista ao segundo turno, depois de um comício histórico de Lula no centro de Florianópolis.

Gelson Merísio e a Estratégia do Campo Democrático nas Eleições SC 2026

A construção da candidatura de Merísio para 2026 seguiu uma lógica que já havia sido testada com sucesso em escala nacional: dialogar com o centro político para ampliar a base sem perder o voto progressista. O modelo mais evidente dessa estratégia é o próprio vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que migrou do PSDB para compor com Lula em 2022 e tornou-se um dos pilares do terceiro mandato petista. Em Santa Catarina, a aposta é semelhante — trazer um nome com credibilidade no campo empresarial e no eleitorado de centro para enfrentar uma direita fragmentada.

A fragmentação do campo conservador é, aliás, um dos fatores centrais que tornaram viável esse projeto. A chegada de Carlos Bolsonaro (PL) à disputa pelo Senado provocou um racha na extrema-direita catarinense, dividindo votos entre o filho de Jair Bolsonaro, Esperidião Amin e Caroline de Toni. Esse cenário liberou o PT local para um rearranjo estratégico: Décio Lima, que seria o candidato ao governo, migrou para a disputa ao Senado, abrindo espaço para Merísio assumir a cabeça de chapa. O raciocínio é simples na teoria, mas sofisticado na execução: com a direita disputando votos entre si, uma candidatura centrista e bem articulada pode se beneficiar do vácuo e chegar ao segundo turno.

O Peso da Chapa: Mulheres, Diversidade e Mensagem Política

A composição da chapa da frente democrática catarinense também carrega uma mensagem simbólica importante. Ângela Albino (PDT), ex-deputada estadual e federal oriunda do PCdoB, foi escolhida como vice de Merísio — tornando-se a primeira mulher a figurar como pré-candidata à vice-governança neste ciclo eleitoral em Santa Catarina. Num estado que registra índices crescentes de feminicídio e lidera manchetes negativas sobre violência contra a mulher, a presença feminina na chapa é tanto uma declaração política quanto uma aposta estratégica junto ao eleitorado.

Completam o quadro da frente democrática outros nomes resgatados da política: Luci Choinacki (PT), militante histórica da luta pela terra e ex-deputada federal, voltou ao cenário público como suplente de senado — uma jogada de Merísio para neutralizar críticas sobre sua proximidade com o agronegócio, já que ele é oriundo do Oeste catarinense, região marcada pela agricultura empresarial. A frente ainda conta com Afrânio Boppré (PSOL) na disputa pelo Senado, ao lado de Décio Lima. É uma coalizão de esquerda plural, com rostos velhos e novos, tentando reescrever a narrativa política de um estado que parecia cada vez mais refratário ao campo progressista.

O Desafio de Convencer: Entre a Esquerda Desconfiada e o Centro Volátil

A candidatura de Merísio não é isenta de contradições — e ele próprio reconhece isso. Os vídeos em que aparece fazendo campanha para Bolsonaro em 2018 ainda circulam nas redes sociais e se tornaram um instrumento de ataque potencial tanto da direita (que o trata como traidor) quanto de setores da esquerda (que questionam a profundidade de sua conversão). O candidato escolheu enfrentar o tema de frente: em vez de se esquivar, afirmou publicamente que "mudou, por que eles não podem mudar também?" — uma frase que condensa sua estratégia narrativa de diálogo e abertura.

Mas convencer o eleitorado de esquerda, historicamente desconfiante de figuras com passado conservador, exige mais do que discurso. Significa entregar agendas concretas: compromissos com saúde pública, educação, habitação e políticas sociais que ressoem com as bases do PT e dos partidos aliados. Ao mesmo tempo, o candidato precisa não afastar o eleitor de centro que pode ser seduzido justamente por sua trajetória empresarial e por sua postura de diálogo com setores econômicos. É um equilíbrio delicado, e qualquer passo em falso pode custar caro em uma eleição que se anuncia acirrada.

Jorginho Mello e a Reação da Direita ao Novo Cenário

Do outro lado do espectro, o governador Jorginho Mello (PL) já demonstrou que está atento à ameaça representada pela frente democrática. Segundo relatos, o próprio filho e estrategista do governador, Bruno Mello, classificou a candidatura de Merísio como o principal desafio ao projeto de reeleição do pai — mais complexo até do que enfrentar um candidato abertamente petista. A lógica é clara: atacar o PT e Décio Lima é fácil e energiza a base bolsonarista. Mas alvejar Merísio, um nome com trânsito no empresariado e sem o histórico de adversário ideológico, é uma tarefa muito mais árida.

A resposta de Jorginho Mello ao lançamento da chapa democrática foi, por si só, reveladora: na véspera do evento, o governador publicou um vídeo repleto de fuzis em suas redes sociais — uma sinalização clara de que pretende radicalizar ainda mais o discurso para consolidar sua base. O risco, no entanto, é que essa estratégia acelere a dispersão de votos conservadores entre ele, João Rodrigues (PSD) e Caroline de Toni (PL), exatamente o cenário que a frente democrática espera explorar para garantir ao menos um nome no segundo turno.

Cenários Possíveis para as Eleições de 2026 em Santa Catarina

Analisando o quadro atual, pelo menos três cenários se apresentam com alguma plausibilidade para o governo catarinense em 2026:

  • Cenário 1 — Segundo turno Merísio x Jorginho: A fragmentação da direita permite que Merísio avance ao segundo turno, onde se credencia como a alternativa democrática ao bolsonarismo. O resultado dependeria da capacidade de consolidar os votos progressistas e capturar eleitores de centro insatisfeitos com o atual governo.
  • Cenário 2 — Domínio da direita sem surpresas: Jorginho Mello consegue consolidar a hegemonia conservadora, João Rodrigues vai ao segundo turno como vice, e a frente democrática não consegue superar a resistência histórica do eleitorado catarinense à esquerda.
  • Cenário 3 — Eleição aberta e imprevisível: Com quatro candidatos competitivos dividindo o espectro político, pesquisas de intenção de voto se tornam voláteis até o final do primeiro turno, e qualquer resultado é possível — incluindo surpresas nos dois blocos.

A história recente da política brasileira ensina que eleições em estados considerados feudos eleitorais podem ser viradas quando o contexto nacional favorece movimentos de renovação. Em 2022, o próprio PT chegar ao segundo turno em Santa Catarina já foi tratado como algo extraordinário. Em 2026, com um cenário nacional ainda mais polarizado e uma direita fragmentada internamente, as condições para uma disputa inédita parecem mais maduras do que nunca.

O Que Esse Movimento Revela Sobre a Política Brasileira

Mais do que uma candidatura estadual, a trajetória de Gelson Merísio é um espelho das tensões que moldam a democracia brasileira no pós-bolsonarismo. O fenômeno de lideranças que cruzam fronteiras ideológicas não é novo — a história política ocidental está repleta de exemplos de figuras que migraram da direita para o centro ou para a esquerda em resposta a crises governamentais ou transformações sociais profundas. No Brasil, a reconstrução do campo democrático após os anos de radicalização exige exatamente esse tipo de ponte: atores com credibilidade em setores que historicamente se opuseram ao PT, mas que estão dispostos a construir um projeto de convergência em torno da democracia e do diálogo.

O que está verdadeiramente em jogo em Santa Catarina em 2026 não é apenas quem vai governar o estado, mas se é possível construir uma alternativa política viável em territórios onde o bolsonarismo ainda tem raízes profundas. A resposta a essa pergunta terá implicações que vão muito além das fronteiras catarinenses — e é por isso que a candidatura de Merísio merece ser acompanhada com atenção por todos que se interessam pelo futuro da política brasileira.

Você acredita que essa estratégia de candidatos de centro-direita compondo com a esquerda pode funcionar em estados conservadores? Quais outros impactos políticos desse movimento ainda não estão sendo discutidos? Deixe sua opinião nos comentários — o debate é fundamental para entendermos para onde caminha a democracia brasileira.

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Gelson Merísio e as Eleições SC 2026

Quem é Gelson Merísio e por que está concorrendo ao governo de SC em 2026?
Gelson Merísio é empresário, ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Aos 60 anos, ele concorre ao governo catarinense em 2026 pelo PSB, com o apoio do presidente Lula (PT). Em 2018, disputou o mesmo cargo pelo PSD e apoiou Jair Bolsonaro, mas afirma ter mudado de posição após discordar da gestão bolsonarista na pandemia e na economia.

Por que Lula apoia Gelson Merísio, que votou em Bolsonaro?
A estratégia de Lula em Santa Catarina segue a mesma lógica que funcionou em escala nacional em 2022: apoiar um candidato com credibilidade no centro político para ampliar a base eleitoral além dos tradicionais votantes de esquerda. Merísio tem trânsito no empresariado e no eleitorado de centro, tornando-o mais competitivo do que um nome puramente petista em um estado historicamente conservador.

Quais são as principais candidaturas ao governo de Santa Catarina nas Eleições 2026?
Os principais pré-candidatos ao governo de SC em 2026 são: Jorginho Mello (PL), atual governador que busca a reeleição; João Rodrigues (PSD), ex-prefeito de Chapecó; Caroline de Toni (PL), deputada federal bolsonarista; e Gelson Merísio (PSB), candidato da frente democrática com apoio de Lula e coalizão de partidos de esquerda e centro-esquerda.

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